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As emissões de metano (CH4) 

Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o período entre 2015 e 2025 constituiu os 11 anos mais quentes já registrados desde o início das medições em 1850, evidenciando a trajetória contínua de aquecimento global, sendo que o gás metano (CH4) é considerado um dos mais potentes gases causadores do efeito estufa (GEEs), grande responsável pelo aquecimento global.

 

Apesar da sua presença na atmosfera ser bem menor quando comparada a do dióxido de carbono (CO2), o metano tem o poder de reter o calor muito superior ao do CO2, sendo 80 vezes superior nas duas primeiras décadas após a sua emissão na atmosfera, e cerca de 30 vezes superior após 100 anos.

 

O metano é emitido por uma variedade de fontes naturais (pântanos, vulcões, oceanos, etc.) e por fontes antropogênicas, que são aquelas geradas por atividades humanas nos mais variados setores da economia.

 

As emissões de GEEs geradas nos diferentes setores da economia continuam a aumentar rapidamente, provocando o aquecimento da atmosfera e dos oceanos, o que também têm aumentado também as emissões naturais, em razão do derretimento de gelo das calotas polares, tornando urgente o combate as emissões de metano para limitar o aquecimento global a 1,5°.

 

Nos últimos 20 anos as concentrações de metano na atmosfera aumentaram cerca de 25 %, o que tem acelerado o aquecimento global, existindo o sério risco de se atingir um ponto de não retorno, após o qual as mudanças climáticas deixam de ser graduais, passando a ser abruptas, gerando consequências irreversíveis sob todos os aspectos, e prejuízos incalculáveis.

 

Prevenir pontos de não retorno requer planejamento e investimentos para a adoção de medidas de mitigação antecipadas que minimizem o pico da temperatura global. Por este motivo, foi firmado o Acordo de Paris, tratado internacional que estabeleceu medidas a serem adotadas por mais de 196 países signatários, com o objetivo de limitar o aquecimento global a menos de 2 °C (idealmente 1,5 °C = ponto de não retorno) em relação aos níveis pré-industriais.

 

Está comprovado que é possível frear este fenômeno, e até mesmo reverter, a partir da implementação de soluções que promovam a descarbonização, ou seja, reduzam as emissões de GEEs geradas nos diversos setores da economia.  

 

Por que é importante priorizar o metano no combate às mudanças climáticas?


O “lado positivo” das emissões de metano é que elas têm um tempo de vida curto na atmosfera, persistindo por 12 anos antes de se degradar, diferentemente das emissões de CO2, que duram séculos. A combinação de tempo de vida curto e a sua potência extrema tornou o metano o foco principal dos esforços para combater às mudanças climáticas no curto prazo.

 

As emissões naturais representam 40% do total das emissões de metano, sendo praticamente impossível controlar emissões de metano provenientes de fontes naturais como, por exemplo, as que ocorrem durante erupções vulcânicas, no processo de decomposição de matérias orgânicas em regiões úmidas (por exemplo, pântanos e florestas tropicais) ou durante o degelo da tundra (bioma do Ártico).

 

Dessa forma, os esforços e investimentos têm sido realizados, em nível global, para controlar as emissões de metano nos setores da economia onde elas são geradas em maior quantidade, como a agropecuária, a indústria de óleo e gás e a gestão de resíduos urbanos, para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

 

O objetivo é reduzir as emissões de metano em larga escala de maneira mais eficiente e rápida possível, utilizando tecnologias sustentáveis e viáveis, racionalizando processos industriais e sistemas de gestão.

 

O setor de resíduos urbanos é responsável por 10% das emissões de metano geradas por atividades econômicas (fontes antropogênicas) e ocorrem quando os resíduos urbanos são depositados em lixões ou aterros sanitários sem qualquer tratamento, e a fração orgânica se decompõe gerando o gás metano e o chorume, um efluente líquido altamente tóxico.

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Imagem de satélite: exemplo de emissões de metano (em azul) em um aterro sanitário, ao lado a lagoa de acumulação do chorume (líquido tóxico)

Através da análise de imagens de satélites (como o Kayrros Methane Watch) que estão disponíveis gratuitamente, é possível identificar onde estão localizadas as maiores fontes de emissões de metano no mundo que são geradas por diversos setores da economia.

Parceria internacional:

Associações nacionais:

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