O papel da indústria em prol do meio ambiente
A intensificação do processo de aquecimento global tem provocado mudanças climáticas que impactam diretamente não só o bem-estar da população e o meio ambiente, mas também o desempenho de diversos setores da economia, como o de geração de energia, a agropecuária, o turismo, etc.
Esse fenômeno tem sido causado por emissões crescentes de diferentes gases na atmosfera, em especial o gás metano (CH4), um dos grandes responsáveis por agravar o efeito estufa, que provoca o aumento da temperatura média da atmosfera e oceanos. Como é praticamente impossível controlar emissões de metano provenientes de fontes naturais (erupções vulcânicas, pântanos, degelo das calotas polares, etc.), esforços e investimentos têm sido realizados, em nível global, para controlar as emissões de metano nos mais diversos setores da economia.
Com isso, os mais diferentes setores da economia estão revisando os seus modelos de produção, adaptando processos e adotando tecnologias para reduzir as emissões de GEE’s, de forma a frear as mudanças climáticas, buscando evitar que elas se intensifiquem ainda mais, o que poderia atingir um ponto de “não retorno”, o que causaria prejuízos crescentes não só sob o ponto de vista econômico, mas também para a qualidade de vida de todos os seres vivos.
Grandes emissões de GEEs ocorrem durante a realização dos serviços de limpeza pública e gestão de resíduos urbanos, serviços que são essenciais para garantir o bom funcionamento da infraestrutura urbana pois evitam a poluição do solo, da água e do ar, além de minimizarem problemas de saúde pública, ou seja, são fundamentais para garantir a qualidade de vida da população que vive nas cidades e a preservação do meio ambiente.
À crise climática, somam-se a atual demanda crescente por energia e a instabilidade geopolítica global que tem afetado diretamente o suprimento de combustível fóssil e fertilizantes químicos, forçando países a adaptarem as suas cadeias de suprimentos em busca de novas fontes de energia e da redução do uso de insumos externos, utilizando sempre que possível fontes renováveis, o que permite também aumentar a sustentabilidade dos ciclos produtivos.
Os resíduos gerados em áreas urbanas são uma fonte inesgotável de recursos, a qual pode (e deve) ser explorada dentro do perímetro urbano utilizando-se tecnologias viáveis e sustentáveis que permitem a valorização das diferentes frações (recicláveis, orgânicos e rejeitos) sem impactos de vizinhança ou ao meio ambiente, permitindo assim recuperar materiais em escala industrial e gerar energia renovável de forma segura e eficiente.
Grande parte da população que gera os resíduos urbanos também é formada por potenciais consumidores dos produtos reciclados que podem ser produzidos nestas indústrias de reciclagem. Todos vivem dentro do perímetro urbano, assim como os catadores de recicláveis que, há gerações, sobrevivem desempenhando a atividade de catação de recicláveis em condições totalmente insalubres.
Por isso, é fundamental que, sempre que possível, as indústrias de tratamento de resíduos estejam inseridas no perímetro urbano e contem com a participação das cooperativas de catadores no processo industrial, o que garante maior segurança e produtividade nas atividades de triagem, e possibilita resolver um dos maiores problemas ainda existentes no Brasil, o da desigualdade social.
No fluxograma abaixo é possível verificar rotas tecnológicas existentes, que envolvem diferentes unidades de tratamento de resíduos urbanos que são complementares, e permitem valorizar cada fração dos resíduos indiferenciados e permitem recuperar materiais em escala industrial e a geração de energia renovável.

As tecnologias utilizadas pela Aiesse Ambiental seguem rotas tecnológicas já consagradas em outros países, que são adaptadas para a realidade local (clima, composição dos resíduos, disponibilidade de recursos, etc.) de cada projeto no Brasil, como o case reconhecido pela SB COP como solução inovadora, escalável e que gera resultados sociais, ambientais e econômicos alinhados ao Acordo de Paris.
Apesar de todos os potenciais benefícios sociais, ambientais e econômicos, ainda é incipiente no Brasil o segmento de unidades industriais de tratamento de resíduos urbanos.
Os processos industriais a serem utilizados precisam ser adaptados à realidade local de cada projeto, prevendo o uso de tecnologias modernas que permitam a valorização de cada fração (recicláveis, orgânicos e rejeitos) dos resíduos indiferenciados dentro do perímetro urbano, o que possibilita uma série de benefícios, tais como o aumento da vida útil dos aterros sanitários, a redução dos gastos com o transporte, a geração de energia renovável, a redução das emissões de GEEs, além de viabilizar a implementação de novas indústrias que permitirão produzir novos produtos a partir dos materiais recicláveis (vidro, plásticos, metais, papelão, etc.) e orgânicos existentes no “lixo comum” (= resíduos indiferenciados).
Como mencionado por Alfred Nijkerk, um dos maiores líderes mundiais da indústria de reciclagem, “a reciclagem é como a atividade de mineração, só que na superfície”. Ou seja, praticamente trata-se de um novo segmento industrial, destinado a explorar fontes de matérias-primas renováveis em áreas urbanas... uma indústria sustentável e um dos pilares fundamentais para reduzir a exploração de jazidas naturais, gerar empregos e estabelecer a Economia Circular, além de viabilizar a redução expressiva das emissões de GEEs.

Atuando em sinergia com o setor de limpeza pública e de gestão de resíduos urbanos, o setor industrial brasileiro tem um papel fundamental a cumprir para viabilizar o aumento dos atuais baixíssimos índices de reciclagem de materiais, recuperação de resíduos orgânicos e de geração de energia ainda observados no país, em prol do desenvolvimento sustentável das cidades brasileiras, e em respeito às futuras gerações,
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) tem liderado importantes iniciativas como a Sustainable Business COP (SBCOP), assim como a Associação Brasileira de Engenharia Industrial (ABEMI) tem participado do “Pacto Brasil pela Infraestrutura”, uma estratégia proposta pelo setor privado para garantir a infraestrutura necessária para o desenvolvimento do país nas próximas décadas.
