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Rotina operacional na planta de TMB

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Fluxograma TMB – Unidade de Tratamento Mecânico e Biológico

Os resíduos indiferenciados, aqueles que são coletados misturados em único saco de lixo (fração orgânica, recicláveis), são descarregados na planta de TMB pelos caminhões de coleta. Em seguida, com a utilização de uma pá carregadeira ou outro mecanismo os resíduos são encaminhados para a alimentação da planta passando primeiramente por um processo de abertura dos sacos de lixo, feita pelo “abre-sacos”, um equipamento que desagrega os resíduos de forma eficiente, sem triturá-los. Após esse procedimento os resíduos são transportados por correias para o peneiramento primário em peneira rotativa tipo trommel malha 15x25cm, onde inicia-se o processo de separação granulométrica, nesta 1ª etapa ainda não existe contato dos membros das cooperativas com os resíduos indiferenciados.

 

A partir deste ponto os resíduos seguem dois caminhos. A fração não passante na peneira (>15x25cm) segue por esteiras para a triagem manual dos resíduos recicláveis pelos membros das cooperativas. Logo após essa primeira triagem os fluxos de resíduos se encontram e passam por um eletroímã, para remoção de metais.  Em seguida os resíduos passam por uma 2ª esteira de catação manual de reforço e seguem para a Peneira de afinagem (Ø 48mm). O material retido na peneira segue como rejeito e a outra fração menor que 48mm é encaminhada para o Tratamento Biológico (compostagem aeróbia ou digestão anaeróbia).

 

Ao final do processo de Tratamento Mecânico (TM), os resíduos urbanos da coleta indiferenciada estão então subdivididos em três grandes frações (recicláveis, orgânicos e rejeitos), permitindo assim a recuperação de cada uma das frações em escala industrial através do uso de tecnologia adequada, a ser definida conforme os Estudos de Viabilidade Técnica e Econômica (EVTE’s) a serem desenvolvidos em função das características de cada projeto (disponibilidade de recursos financeiros, áreas licenciáveis, distâncias de transporte, etc.)

Usina de triagem de lixo de Ceilândia é uma das maiores do país (legendado)

Sistema de compostagem ao ar livre, produzindo composto orgânico certificado para uso na agricultura.

Os resultados alcançados na planta de TMB de Ceilândia (imagem acima) comprovam a real possibilidade de: aumentar a vida útil do aterro sanitário, ao desviar (em até 44%) o volume de resíduos transportados e aterrados nos distantes aterros; estimular a agricultura orgânica através da produção de composto orgânico certificado; contribuir para a consolidação da Economia Circular (novas indústrias) e melhorar os níveis de saúde pública e educação de toda região.

 

Além disso, possibilita outros grandes benefícios ambientais no combate às mudanças climáticas, uso de composto orgânico na agricultura que possibilita a fixação de carbono no solo e a redução das emissões de GEE´s, tanto nas etapas de transporte, como de destinação final em aterros.

 

Este processo de TMB possibilita uma redução anual estimada de 5.249,47 toneladas de CO2eq, calculada pela UNFCCC, Ferramenta Metodológica TOOL04: Emissões provenientes de locais de disposição de resíduos sólidos (aterros sanitários) Versão 08.1.

 

COMPOSTAGEM ACELERADA - EUROPA

Outro excelente exemplo de compostagem aeróbia pode ser encontrado na LIPOR, empresa pública de gestão de resíduos no Porto, Portugal. Nesta planta o sistema de compostagem é coberto e ocorre em túneis equipados com sistema de aeração forçada, além de biofiltros, que não só aceleram o processo de compostagem, como também eliminam os impactos (odores) na vizinhança. Exemplos de tecnologias ambientalmente sustentáveis que possibilitam que as plantas de TMB sejam implementadas próximas as residências, promovendo assim grande eficiência na redução de custos de transporte e de emissões de metano e CO2.

Vista aérea: Estação de Tratamento Biológico Mecânico (TBM), com túneis de compostagem (aeróbia), Porto (PT)

Dependendo das características de cada projeto, uma combinação de outras tecnologias podem ser implementadas ao lado da planta de TMB, possibilitando uma redução de até 80% (ou mais) do volume de resíduos a serem transportados para disposição final em aterros sanitários.

 

DIGESTÃO ANAERÓBIA - EUROPA

Em que pesem os pesados investimentos, em sua grande maioria viabilizados através de linhas de financiamento a fundo perdido da União Européia, existe viabilidade técnica para se implementar o Tratamento Biológico através do processo de Digestão Anaeróbia. Trata-se de uma tecnologia muito mais sensível em termos operacionais, quando comparada com a simplicidade de uma planta de tratamento biológico que utiliza o processo de compostagem aeróbia.

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Planta de CDA - Portugal

Plantas de TMB são fundamentais para o Desenvolvimento Sustentável em áreas urbanas

À medida que mais materiais são recuperados e/ou energia renovável é gerada nas instalações de tratamento de resíduos instaladas dentro do perímetro urbano, o volume de resíduos ao final do processo de tratamento diminui e consequentemente, os custos de transporte, seja pela redução da frota de caminhões necessária para realizar os serviços diários de coleta e transporte, seja pela diminuição da distância de transporte a disposição final dos resíduos em aterros distantes.

 

Também é muito importante considerar outros ganhos sociais, ambientais e econômicos, incluindo a preservação da biodiversidade e a economia gerada pela não necessidade de remediar futuramente áreas atualmente utilizadas como aterros sanitários.

 

Além de mais racional em termos econômicos, ao se investir em plantas de tratamento de resíduos dentro do perímetro urbano, é possível alcançar a redução de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), promovendo a descarbonização dos serviços de limpeza urbana, onde estão compreendidos os serviços de gestão, tratamento e destinação final dos resíduos urbanos, o que possibilita a obtenção de Créditos de Carbono, potencial fonte de receitas acessórias.

 

Caso exista disponibilidade de recursos, é possível gerar energia renovável a partir da recuperação energética do biogás gerado em plantas de Digestão Anaeróbia (exemplo Tratolixo, Portugal) ou se opte por também implantar uma planta de geração de energia a partir da combustão da fração dos rejeitos (apenas a fração dos rejeitos – alto poder calorífico), que poderiam ser instaladas após os resíduos indiferenciados serem beneficiados nas plantas de Tratamento Mecânico Biológico (TMB).

 

Igualmente importantes são outros possíveis impactos positivos (sociais, ambientais e econômicos) na região do projeto, tais como a produção de alimentos saudáveis a partir do uso de do composto orgânico na agricultura, a instalação de indústrias de reciclagem para fabricação de novos produtos a partir dos resíduos recicláveis selecionados e comercializados em larga escala pelas cooperativas de catadores, a eventual geração de energia renovável à valores subsidiados e a possível venda dos créditos de carbono.

 

Em funções das metas estabelecidas no Acordo de Paris (COP 21), os acordos firmados no Pacto de Glasgow (COP 26), juntamente com as novas regulamentações legais e o aumento dos custos de energia, existe uma grande oportunidade para países em desenvolvimento, como o Brasil, recuperarem o tempo perdido até agora no segmento de tratamento de resíduos urbanos, implementando plantas de TMB com financiamento dos países desenvolvidos, permitindo assim incrementar rapidamente os seus níveis de reciclagem.

 

Tais investimentos internacionais no Brasil poderiam permitir que os países industrializados cumprissem as suas NDCs (as metas de redução de emissões definidas por cada país) de forma muito mais rápida, barata e efetiva, ao invés de investirem em tecnologias revolucionárias e/ou dispendiosas em seus próprios países, que certamente levarão um tempo muito maior e serão muito mais caras para serem implementadas.

 

Caso isto aconteça, o setor público no Brasil também poderá vir a ter a capacidade de investimento necessária para realizar projetos de tratamento de resíduos e de geração de energia renovável, como em Portugal, o que viabilizaria que inúmeros benefícios sociais, ambientais e econômicos alinhados ao Acordo de Paris – tratado internacional que visa limitar o aquecimento global a menos de 2°C em relação aos níveis pré-industriais – pudessem ser alcançados no curto e médio prazo.

Parceria internacional:

Associações nacionais:

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